Um bom argentino, assim como um bom gaúcho, nunca vai dizer não ao chimarrão! Na mesma proporção que o "cafezinho" no Brasil serve para por as conversas em dia, relaxar a mente, fazer a digestão, o "mate" como eles chamam aqui, também satisfaz essas necessidades.
Certa vez, enquanto preparava uns biscoitinhos para o lanche, aproximou-se D. Merce (a dona do terreno e vizinha), e em castelhano, óbvio, perguntou o que eu estava fazendo. Respondi cordialmente, e da mesma forma educada, ela me convidou a provar o tal do Mate. pensei seriamente em negar a oferta haja visto que nunca gostei de chá, tomar mate seria igualmente ruim, mas como sabia que era algo cultural, não queria causar desajustes nesse princípio de amizade. Não pude terminar de aceitar a oferta e ela já havia saído para trazer o bendito. Preparou-o com todo um ritual de põe-água-espera-secar até que o "copo" ficasse cheio, mirou-me com os olhos curiosos à espera de minha degustação. Provei-o, e assim como minhas expectativas, o tal do mate era amargo... com um sorriso bem forçado nos rosto, tomei o resto quase que tapando o nariz:
-hum... É bom! Mas não troco o meu cafezinho por nada! - e sorri.
Ainda restava um pouco de mate quando lhe passei o "copo", ela o tomou e, fazendo a cara mais feia disse:
-Mas esse mate tá sem açúcar! - e gargalhou - Me desculpe! esqueci de colocar açúcar!
sorri com um profundo rancor em minh'alma e de rebote lhe ofereci:
-Já tomaste café? Prove então esta enorme xícara de café (sem açúcar!!!).
Depois de estarmos quites, não houve mais convites para lanches... Mas somos amigos, com açúcar!
Bueno... Me voy.
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